Le Desordre C’est Moi


A Desordem

Depois de 2 anos e meio nesse endereço absurdamente dificil de escrever (Le Desordre C’est Moi), agora estou escrevendo aqui:

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Ainda tá bem no comecinho, mas é isso aí. Lá com certeza vai ser bem mais atualizado que aqui, tá?

Beijo 🙂



A essência de um relacionamento
julho 19, 2010, 4:55 pm
Filed under: Comportamento, Inspiração, Literatura, para pensar, sentir | Tags: , , ,

Companheirismo

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinho na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado

Poucas palavras que resumem como é fácil, possível e delicioso ser feliz quando se tem um companheiro (e não apenas um marido/mulher).



A tristeza do quase
março 11, 2009, 3:48 pm
Filed under: Literatura, para pensar, sentir

“Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Sarah Westphal



Drummond
fevereiro 5, 2009, 1:29 pm
Filed under: Literatura, Outros, Pessoal

Poema feito por mim há algum tempo, com trechos da obra Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade.
Gostei bastante do resultado.

O paralelismo dos opostos

Não faças versos sobre acontecimentos, (Procura da Poesia, verso 1)
porque o tempo não mais se divide em seções; o tempo (Vida menor, verso 26)
elidido, domado. (Vida menor, verso 27)
Vinte anos é um grande tempo. (Retrato de Família, verso 21)
Tempo de mortos faladores, (Nosso Tempo, verso 51)
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres. (Carta a Stalingrado, verso 67)

Conheço bem esta casa, (Nosso tempo, verso 55)
Sei apenas que é noite porque me chamam de casa. (América, verso 4)
É noite, não é morte, é noite.(Passagem da Noite, verso 17)
São puras, largas, autênticas, indevassáveis. (Consideração do Poema , verso 8)

Posso, sem armas, revoltar-me? (A flor e a Náusea, verso 5)
Sem fazer barulho, é claro,(Morte do Leiteiro, verso 40)
que barulho nada resolve. (Morte do Leiteiro, verso 41)
Sou apenas um homem. (América, verso 1)
Que a terra há de comer (Os últimos dias, verso 1)
Mas não coma já. (Os últimos dias, verso 2)

Tudo é precioso…(Movimento da Espada, verso 23)
O mundo e todas as coisas (Campo, Chinês e Sono, verso 4)
Como saber se está sonhando? (Campo, Chinês e Sono, verso 7)
Ficou um pouco de luz. (Resíduo, verso 5)

Estou exausta, cética, arruinada.(Noite na Repartição , verso 49)
Como compraste calma? Não a tinhas. (Como um presente, verso 19)
Como aceitaste a noite? Madrugavas.(Como um presente, verso 20)
Sinto que nós somos noite (Passagem da noite, verso 7)
após o desgaste (Uma hora e mais outra, verso 43)
em outro, tristeza. (Uma hora e mais outra, verso 45)

A infância está perdida (Consolo na Praia, verso 2)
Mas a vida não se perdeu. (Consolo na Praia, verso 4)
O último dia do tempo (Passagem do Ano, verso 12)
não é o último dia de tudo.( Passagem do Ano, verso 13)

A execução desse poema me fez perceber que todas as poesias de Drummond na obra A rosa do povo são filosoficamente contraditórias, hora clamando pela vida, hora esperando ansiosamente pela morte. Tentei transpassar ao máximo essa idéia em minha poesia, mostrando as duas faces da dúvida, percorrendo desde a afirmação inicial de receio de viver, até os trechos em que mostram que nem tudo está perdido, que há sempre uma solução e que nada justifica a perda de sua vida, apesar dos pesares. Mesclar as duas idéias no poema foi algo essencial, pois foi exatamente isso que vi no decorrer do livro, a mistura entre uma idéia e outra, contrapostas, analisando o bem e o mal e fazendo um apelo a cada uma delas, mostrando todas suas facetas de modo que quem lê, pode interpretar de diversas maneiras, baseando-se no ponto de vista pessoal.