Le Desordre C’est Moi


Drummond
fevereiro 5, 2009, 1:29 pm
Filed under: Literatura, Outros, Pessoal

Poema feito por mim há algum tempo, com trechos da obra Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade.
Gostei bastante do resultado.

O paralelismo dos opostos

Não faças versos sobre acontecimentos, (Procura da Poesia, verso 1)
porque o tempo não mais se divide em seções; o tempo (Vida menor, verso 26)
elidido, domado. (Vida menor, verso 27)
Vinte anos é um grande tempo. (Retrato de Família, verso 21)
Tempo de mortos faladores, (Nosso Tempo, verso 51)
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres. (Carta a Stalingrado, verso 67)

Conheço bem esta casa, (Nosso tempo, verso 55)
Sei apenas que é noite porque me chamam de casa. (América, verso 4)
É noite, não é morte, é noite.(Passagem da Noite, verso 17)
São puras, largas, autênticas, indevassáveis. (Consideração do Poema , verso 8)

Posso, sem armas, revoltar-me? (A flor e a Náusea, verso 5)
Sem fazer barulho, é claro,(Morte do Leiteiro, verso 40)
que barulho nada resolve. (Morte do Leiteiro, verso 41)
Sou apenas um homem. (América, verso 1)
Que a terra há de comer (Os últimos dias, verso 1)
Mas não coma já. (Os últimos dias, verso 2)

Tudo é precioso…(Movimento da Espada, verso 23)
O mundo e todas as coisas (Campo, Chinês e Sono, verso 4)
Como saber se está sonhando? (Campo, Chinês e Sono, verso 7)
Ficou um pouco de luz. (Resíduo, verso 5)

Estou exausta, cética, arruinada.(Noite na Repartição , verso 49)
Como compraste calma? Não a tinhas. (Como um presente, verso 19)
Como aceitaste a noite? Madrugavas.(Como um presente, verso 20)
Sinto que nós somos noite (Passagem da noite, verso 7)
após o desgaste (Uma hora e mais outra, verso 43)
em outro, tristeza. (Uma hora e mais outra, verso 45)

A infância está perdida (Consolo na Praia, verso 2)
Mas a vida não se perdeu. (Consolo na Praia, verso 4)
O último dia do tempo (Passagem do Ano, verso 12)
não é o último dia de tudo.( Passagem do Ano, verso 13)

A execução desse poema me fez perceber que todas as poesias de Drummond na obra A rosa do povo são filosoficamente contraditórias, hora clamando pela vida, hora esperando ansiosamente pela morte. Tentei transpassar ao máximo essa idéia em minha poesia, mostrando as duas faces da dúvida, percorrendo desde a afirmação inicial de receio de viver, até os trechos em que mostram que nem tudo está perdido, que há sempre uma solução e que nada justifica a perda de sua vida, apesar dos pesares. Mesclar as duas idéias no poema foi algo essencial, pois foi exatamente isso que vi no decorrer do livro, a mistura entre uma idéia e outra, contrapostas, analisando o bem e o mal e fazendo um apelo a cada uma delas, mostrando todas suas facetas de modo que quem lê, pode interpretar de diversas maneiras, baseando-se no ponto de vista pessoal.

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